"Mudaram as estações, nada mudou..." É, mas eu sei, eu sinto que alguma coisa aconteceu, afinal, tudo está diferente...
Ah, se eu apenas soubesse. Se eu apenas soubesse o que é necessário para colorir um pouco mais esse dia, com certeza, não faria. Por quê? É necessário a reflexão, vez em quando, para ficarmos mais fortes. E se o dia estivesse colorido, eu não reservaria o tempo que preciso para pensar... Hoje não tem nada muito bonito nem lá fora, nem aqui dentro. E eu estou ficando cansada. Mas eu sei que logo passa. Eu sei.
E eu acho que estou temperamental demais... Ih, lá vem...
P.S.: Assisti, enfim, "Tropa de Elite" e até escrevi um texto sobre. Mas hoje eu tive que dar espaço ao diário escancarado...
Escrito por Sara às 14h17
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A idéia veio da Liana Vidigal, professora, flamenguista, mãe do Arthur (que puxou o pai e é são-paulino), amiga e logo mais colega de profissão: "Uma dica: que tal contar para a gente as alegrias e percalços de uma 'quase-formada'"...
Pois sim, resolvi aceitar a dica. Afinal, os últimos meses foram muito agitados, estressantes, animados, alegres, cansativos e devem render uma boa história. O último ano foi bem melhor do que pensava e muito mais exaustivo também. No entanto, o saldo final é positivo e muito gratificante.
Nos primeiros meses de 2007, dois professores já nos esperavam na sala com a seguinte pergunta: "Qual a idéia para o TCC (Trabalho de Conclusão de Curso)? Qual o grupo?". E a resposta da maioria era quase sempre a mesma: "Ah, tivemos uma idéia disso, daquilo. Mas nada certo, não sabemos ainda". Pergunta difícil, resposta (quase) impossível. Um dos professores era o já conhecido Fábio Cardoso, amigo desde o primeiro ano, mestre que me inspirou a querer ler e escrever sempre um pouco mais. Ele também foi aquele que acreditou na minha palavra quando um certo cara copiou um trabalho meu (mas essa é uma história para outro dia).
O outro professor era o desconhecido Chico Bicudo. Exemplo claro daqueles que conhecemos por ouvir falar, mas nunca ter de fato conversado. Para muitos, inclusive para o Profº Fábio, ele era "o" cara. E eu morria de vontade de ter aula com ele.
Pronto, ótima junção. Teria que aproveitar cada instante. E me esforçar para fazer um bom trabalho. Mas que trabalho? Ainda não tinha grupo, tema ou professor.
Numa certa manhã, eu e mais três pessoas completamente diferentes de mim (amigos de quatro longos anos, todavia com personalidades distintas) nos reunimos e resolvemos que escreveríamos um perfil, texto mais leve e ao mesmo tempo bem detalhado e apurado. Quem seria o perfilado? Cora Coralina, Dias Gomes ou Inezita Barroso? Fechamos com Inezita Barroso, até então para mim uma ilustre desconhecida. Decidimos, também, que o professor-orientador do TCC seria o Chico.
Muito aconteceu nos meses seguintes. Entrevistas, visitas ao Centro Cultural, à Biblioteca da Universidade Anhembi Morumbi, às gravações do "Viola, minha viola" no Teatro Franco Zampari. Não foi fácil, admito. Câmara Cascudo, Tom Wolfe, Joseph Mitchel, artigos e afins. Não que não tenha gostado, aliás amei cada palavra. No entanto, foi difícil conciliar tudo isso, todas informações, os receios e as tristezas do caminho.
Sem contar que eu e os outros integrantes do grupo tínhamos grandes diferenças que ao passar do tempo ficaram mais visíveis. Um escreve assim, outro assado, um é póetico, outro é direto. A amizade que existia entre nós, porém, se intensificou. Foi bom poder ter dividido com eles esses momentos.
Toda semana, nas orientações, apresentávamos algo novo. Novos entrevistados, novas idéias, novos medos e novas maneiras de sentir o que estava acontecendo. Contar com o apoio do Chico, orientador e amigo, foi essencial (mesmo quando, para descontrair, ele falava do Santos).
Hoje é bom ver trabalho finalizado, cheio de cores, de fotos, palavras, pensamentos e sentimentos. É bacana sentir que o texto "Frankstein" (escrito por oito mãos diferentes) ficou bem costurado e que o fim está próximo. E o fim? "É belo incerto, depende de como você vê".
Não sei ao certo o que o futuro me reserva, quais serão as próximas etapas e os novos obstáculos. O que sei é que saio de lá com a sensação de dever cumprido, apesar dos pesares e com o "pesar dos apesares".
Ainda não ouvimos o "aprovados", mas faltam algumas semanas ainda e espero que a palavra que vai sair da banca não seja outra.
Feliz por ter feito a escolha certa, por ter aproveitado os quatro anos de faculdade, mesmo que vez em quando sinta que poderia ter ido melhor. Feliz porque no trabalho tive a liberdade de escrever daquele meu jeito meio poético, cheio de detalhes. Por ter tirado muitas fotos e ver a maioria na matéria concluída. Feliz por ter conhecido Inezita Barroso, Assis Ângelo, Rivaldo Curulli, Pena Branca. Porque aprendi a respeitar a Cultura Brasileira de uma maneira bem mais profunda. Bem mais bonita. Mais sentida.
Feliz por ser feliz...
Escrito por Sara às 18h11
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No terceiro colegial (sim, eu ainda falo colegial e acho muito estranho falar "ensino médio") minha professora de literatura falou que minha redação era poética. Não reclamou, brigou ou criticou, apenas me disse que eu e mais uma outra colega de sala escrevíamos de uma forma diferente. Não sei o que aconteceu com a outra menina, perdemos o contato. Mas posso dizer o que aconteceu comigo. Sempre fiquei um pouco em dúvida em relação ao meu texto. Será que escrevi demais, será que escrevi pouco, será que entrei muito em detalhes, será que pequei na objetividade, será que perdi a mão? Será, será, será? Hoje em dia, vejo que isso é a minha dádiva e o meu terror diário. É algo extremamente paradoxal. Vez em quando, sou elogiada quando escrevo detalhe por detalhe e esqueço o chatíssimo lead e, outras vezes, falam que eu enrolo muito pra chegar no principal (e isso alguns dizem não só sobre minha escrita, como também sobre minha fala). De qualquer forma (vejam só como demorei pra chegar até aqui) aprendi que o essencial mesmo é balancear objetividade e subjetividade, poesia e prosa, isso e aquilo, preto e branco, literário e diário.
Ah, sim. Eu sou a Sara. Jornalista (por escolha de vida e logo mais por formação da universidade), são-paulina, chatíssima com erros de português (não significa que eu não os cometa, aliás esse texto deve ter vários), a menina do Tiago, produtora, evangélica, apaixonada por livros... E mais um tanto de coisa que ainda não sei.
E essa é mais uma tentativa de manter um blog...
Escrito por Sara às 16h01
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