
"E se eu fosse o primeiro a voltar pra mudar o que eu fiz, quem então agora eu seria?"
Lendo antigos cadernos descobri que antigamente não era somente eterna. Antigamente tinha mais sonhos, mais cores, mais desejos e anseios que hoje não fazem tanto sentido assim. Não que antigamente eu fosse melhor ou maior do que sou hoje. É que antigamente eu ia no Evolution do Playcenter sem o mínimo medo de cair, é que antes eu queria ser jogadora de futebol e pedi um uniforme do São Paulo aos 11 anos, é que há anos eu comia brigadeiro com kani, antes eu ia no cinema uma vez por semana e me enchia de mate, pão de queijo, milkshake de ovomaltine; é que antigamente eu tinha o privilégio de passar horas sem fim lendo vários livros ao mesmo tempo na Siciliano, é que antes, também, eu era apenas uma garota que queria algo. Hoje eu continuo sendo eterna. Eu não tenho mais muitos sonhos. Tenho desejos realizados e sonhos que logo se tornarão realidade. Tenho cores ainda, mas hoje não são apenas cores frias e óbvias, são cores quentes e cheias de nuances. Hoje eu não vou mais no Evolution, tenho medo mesmo. Qual é a graça de ficar de ponta cabeça em um brinquedo que me dá a nítida sensação de que vou cair daquela cadeira que praticamente não me segura. Mas não fiquei tão careta assim. Hoje eu pulo do SkyCoaster e até puxo a cordinha, aprendi que não há nada melhor do que a sensação de que posso voar. Descobri que não corro o suficiente e que se eu antes acertava um golaço de cabeça ou cobrava um super escanteio, não era porque era boa jogadora, era sorte mesmo. Por isso continuo sendo tricolor, mas não quero mais ser a jogadora da seleção feminina de futebol. Hoje me contento em assistir no Morumbi ou em casa mesmo as partidas do verdadeiro timão aqui de São Paulo. Hoje eu não faço mais as misturas gastronômicas de outrora, mas isso não me faz desistir de enfrentar um prato de feijoada ou dobradinha em qualquer horário do dia ou da noite. Já faz um bom tempo que não vou ao cinema e fico triste com isso, mas, ao mesmo tempo, isso quer dizer que não sou mais a menina de 16 anos que não trabalhava e não tinha muitas obrigações, hoje sou a (ainda) menina (um pouco mais madura) de 21 anos que trabalha muito e que aprende diariamente nessa profissão louca que escolheu. Hoje, infelizmente, eu não passo horas na Siciliano ou em qualquer outra biblioteca, mas levo na bagagem cada linha que li naqueles bons e velhos livros. Numa contradição louca e maravilhosa da vida, hoje continuo sendo uma garota que quer algo. Mas não qualquer coisa. Eu quero um caminho bonito. Eu quero que pessoas especiais andem comigo nesse caminho bonito. Eu quero que esse caminho bonito com pessoas especiais seja minha vida. Eu quero minha vida mais simples e, ao mesmo tempo, incrivelmente maravilhosa. Por essas e outras é que não mudaria uma vírgula da minha história. Ela está só começando...
Escrito por Sara às 17h56
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Carta de amor para o meu amor... (que são sempre ridículas, não seriam cartas de amor, aliás, se não fossem ridículas)
Em meio a tantas e quantas desilusões e aflições, foi assim que você, amor, surgiu. Coloriu com uma cor linda (assim como aquela que tem nos olhos teus) meu mundo. Se hoje o meu sorriso é mais bonito, amor, é porque você consegue me fazer voltar a ser criança e nunca me deixa esquecer que é ao teu lado que terei lindas crianças. Hoje eu posso sim dizer que encontrei um amor que é bom pra mim, que eu logo realizarei o antigo sonho de guria: casar com meu melhor amigo. E ao contrário do que dizem por aí, a primeira impressão não é a que fica, amor. Lembra bem? Eu era apenas a menina feia, boba e sem graça com cabelos bagunçados que estava sentada, editando algum programa e você era o menino que se achava por demais da conta, loirinho, olhos verdes, com tudo para ser insuportável. E deixe-me dizer, amor, por um tempo você foi mesmo insuportável e eu fui também um tanto sem graça. Mas depois (sempre depois) eu encontrei um amigo para conversar sobre tudo e todos, pra rir, pra chorar, pra entender e pra viver. Você se tornou muito querido, começou a fazer parte da minha vida de uma forma muito intensa, mas nós não queríamos ficar juntos. Não e não. Não tínhamos esse plano. Havia outras pessoas, outros caminhos e outros sonhos (que depois descobriríamos que não eram tão diferentes assim). Eu te queria apenas como meu melhor amigo e não pensava que você seria o melhor amigo para casar. Imaginava, apenas, que seria um dos melhores amigos. E depois de muitos encontros e desencontros foi que percebemos que algo a mais podia acontecer. Mas demorou. Demorou um bom tempo. Foi preciso muitas conversas pelas madrugadas, muitos amigos falando: "vocês vão ficar juntos", foi preciso minha mãe te ver naquela manhã de domingo, sentir que você seria o genro dela, começar a torcer por nós dois e pedir pra Deus que o que tivesse que acontecer precisava acontecer, foi preciso tua prima sonhar com "uma menina de cabelos cacheados vermelhos"... Foi preciso eu e você perdermos o medo de perder a amizade e se render um ao outro. Desde o beijo roubado naquela noite de sábado, amor, nós dois nos tornamos um casal bem diferente de outros que já conhecemos. Somos amigos, parceiros, companheiros, somos eu e você de um jeito só nosso de ser.

"... Deveria chamar-te claridade Pelo modo espontâneo Franco e aberto Com que encheste de cor meu mundo escuro..." (Vinicius de Moraes)
Escrito por Sara às 22h30
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Das palavras que ainda me faltam
Nos pensamentos, nas mãos, nas teclas, nas telas, no papel Ainda me faltam palavras sussurradas, leves como nuvens no céu Falta tempo e inspiração, sobra falta e desilusão O que será que será? O que será que não é? O que me fará ser? O que é que me faz? São tantas perguntas, são poucas respostas É tudo, é tudo de novo E não tem nada novo
Escrito por Sara às 13h57
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